Josérangers Ep 2 Parte 2

 




O cenário se abria para o amplo ginásio subterrâneo da base, iluminado por refletores brancos que lançavam uma luz intensa sobre o chão de borracha antiderrapante. Nosso cinco protagonistas estavam vestidos com roupas de treino justas e reforçadas, cada uma adaptada ao seu estilo de combate. O ambiente ecoava com sons de respiração pesada, passos rápidos e o tilintar metálico das correntes presas aos pesos.

Tiago, em sua forma humana, caminhava entre eles como um treinador implacável. Seu olhar afiado não perdia nenhum detalhe e sua postura transmitia autoridade. Os treinos eram absurdamente pesados, muito além dos limites humanos:

— Luka, corre! — gritou Tiago. — Quero mais velocidade! Essas caneleiras pesam vinte quilos cada, e é pra você correr como se fossem plumas!

Luka, ofegante, tentava acelerar, sentindo o peso esmagar cada passo.

João Gabriel estava fazendo flexões com uma barra de aço sobre as costas, sustentando mais quarenta quilos de peso.

— João, desce mais! Quero o peito tocando o chão! — ordenou Tiago, batendo palmas ritmadas para marcar o tempo.

Beka fazia abdominais pendurada de cabeça para baixo, com um disco de vinte e cinco quilos preso ao peito.

— Bora, Beka! — disse Tiago. — Se seu tronco não doer, você tá fazendo errado!

Junin carregava um enorme tronco de madeira sobre os ombros, andando em círculos pelo tatame. O suor escorria pelo rosto, caindo no piso.

— Não deixa cair, Junin! — berrou Tiago. — Se cair, você vai ter que recomeçar do zero!

No centro, Max era o único que parecia não ceder à exaustão. Ele fazia barras com movimentos explosivos, puxando-se até o queixo ultrapassar a barra, com correntes presas ao tronco e pesos pendurados nos tornozelos. Seus músculos estavam tensos, o corpo encharcado de suor, mas o ritmo era constante.

Tiago, observando-o, soltou um sorriso satisfeito antes de voltar o olhar para o grupo:

— Bora, bora, sem parar! Isso é pouco! — gritou. — Os inimigos que estão por aí, escondidos, serão muito mais fortes e perigosos do que Lara Repulsa jamais foi! Vocês precisam estar prontos para qualquer coisa… por isso, não parem!

O som das respirações pesadas, das correntes e do impacto dos pés no chão preenchia o ginásio, enquanto o treino seguia sem trégua.

O treino continuava num ritmo quase insano, o ar do ginásio já carregado pelo calor e pelo cheiro de esforço humano. O suor formava pequenas poças no chão embaixo de cada um deles, mas Tiago não demonstrava um pingo de piedade.

Junin, agora, estava no pátio interno da base, preso a um arreio de couro reforçado nos ombros. Diante dele, uma pedra gigantesca, talhada irregularmente, com correntes presas e fixadas no seu cinto de treino. O bloco parecia ter o peso de um carro pequeno. Tiago gritava:

— Vai, Junin! Se arrasta essa pedra como se fosse salvar sua vida!

Junin puxava, cada passo fazendo as veias do pescoço saltarem, o corpo inteiro tremendo. O som metálico das correntes se arrastando no chão ecoava, misturado aos grunhidos de esforço.

Do outro lado do espaço, Luka estava escalando uma corda grossa de quase vinte metros, com dois sacos de areia amarrados nas pernas. A cada puxada, a corda balançava perigosamente, e Tiago gritava:

— Se cair, vai recomeçar do zero!

João Gabriel fazia um exercício quase cruel: ele estava dentro de um tanque de água até o pescoço, com dois halteres amarrados aos punhos e tornozelos. O objetivo era se manter boiando enquanto fazia movimentos de defesa e ataque submersos.

Beka treinava resistência de impacto. Tiago havia colocado um colete de aço no tronco dela e estava lançando bolas de peso, do tamanho de bolas de basquete, direto contra o abdômen. Cada impacto fazia um som seco, mas ela se mantinha firme, mesmo rangendo os dentes.

E Max… Max estava agora em algo ainda mais brutal. Ele estava preso a um trenó metálico carregado com pesos e deveria correr num circuito de cem metros. Tiago marcava o tempo com um cronômetro.

— Mais rápido, Max! — rugiu Tiago. — Isso aí não é nem metade do que você vai precisar no campo de batalha!

Quando Max terminava uma volta, sem parar, Tiago aumentava a carga no trenó.

O barulho dos gritos, o choque dos pesos, o som das correntes e as respirações pesadas transformavam o ginásio num campo de guerra. Tiago andava de um lado para o outro, com o olhar atento e um leve sorriso orgulhoso.

— Vocês acham que é exagero? — falou, parando no centro e olhando para todos. — Pois saibam: existem ameaças escondidas por aí, e elas não vão esperar vocês estarem prontos. Se não treinarem até o limite, não terão chance.

Enquanto ele falava, Junin finalmente arrastava a pedra até a marca final, caindo de joelhos, ofegante e com as mãos tremendo. Luka chegava ao topo da corda, prendendo-se no último nó e olhando lá de cima, completamente sem fôlego. João emergia do tanque, tossindo água, mas com um sorriso de orgulho por ter aguentado. Beka ainda recebia as bolas de peso, cada impacto ecoando pelo salão, sem desistir.

Max, mesmo exausto, dava sinais de que poderia continuar. Tiago, vendo isso, apenas cruzou os braços e murmurou para si mesmo:

— Esse grupo vai aguentar o inferno… e voltar de lá mais forte, eu tenho certeza disso.









Enquanto os jovens enfrentavam mais uma exaustiva rodada de treinamentos não humanos, Tiago aproveitou um momento de pausa para se afastar um pouco e se encontrar com Magnus em uma sala reservada da base. As paredes tinham um tom frio, iluminadas por luzes azuladas que refletiam uma atmosfera quase etérea, adequada para conversas sérias.

Magnus, com seu olhar penetrante e postura imponente, abriu a conversa de imediato:

— Tiago, o que você está achando do desempenho deles até agora? — questionou, a voz calma mas carregada de curiosidade e expectativa.

Tiago, respirando fundo, respondeu com sinceridade:

— Para iniciantes e amadores, eles estão no caminho certo. O treinamento especial deve ser o que eles precisam para elevar o nível. Eles já mostram um progresso sólido.

Magnus assentiu lentamente, analisando cada palavra.

— O nível atual deles já supera o de muitos dos melhores lutadores de artes marciais da Terra — comentou ele. — São fortes, resistentes... mas ainda assim, eles não têm acesso aos espíritos guardiões, às forças ancestrais. Isso é preocupante. Sem essa conexão, suas verdadeiras potencialidades ficam limitadas.

Tiago franziu o cenho, consciente da gravidade da situação.

— Se soubéssemos o que fazer, agiríamos de forma diferente — disse com um suspiro. — Sabemos que eles estão fazendo esforços reais, que estão se empenhando ao máximo, mas, mesmo assim, parece que esses espíritos não os reconhecem... ou talvez não consigam se comunicar com eles.

Magnus ficou em silêncio por alguns instantes, olhando para o vazio, como se tentasse decifrar algo invisível.

— Na Terra, existem zonas chamadas portais interdimensionais — começou, com tom sério. — São passagens que levam a terras desconhecidas, misteriosas. O problema é que esses portais são pouco compreendidos e praticamente desconhecidos até para os nossos melhores especialistas.

Tiago, curioso e preocupado, perguntou:

— Há alguma ameaça conhecida nesses portais? Algo que possa afetar nossos jovens?

Magnus respondeu com um leve aceno de cabeça, mas sua expressão era enigmática:

— Não faço ideia.

Ambos permaneceram em silêncio, sentindo o peso daquela incerteza.





Notas do autor: Opa, caro leitor! Caso tenha gostado, compartilhe suas ideias e teorias. Ah, e respondendo a uma pergunta: o episódio 1 e a primeira parte do 2 se passa em fevereiro, e dentro da história houve um timeskip — agora estamos entre os dias 10 e 15 de novembro. É isso aí! Fiquem com uma breve prévia da próxima parte:

A cena se abre mostrando uma loja por volta do meio-dia. Vemos um homem careca, vestido com casaco e moletom, usando uma máscara, mexendo em algo com um olhar suspeito. A câmera corta para João, que está dando ração para um gatinho, fazendo cafuné e falando carinhosamente:

— Come tudo, Bolota.

De repente, a cena volta para o homem careca, que coloca um molho de uma salcinha nos olhos e imediatamente começa a sentir ardência, queimando os olhos. Ele geme de dor, agarrando o rosto.

Corta para Beka, Junin e Max dentro de um Fusca azul, andando por uma estrada mais afastada. Eles passam por uma placa que indica “Parnaíba - 10 km”, mas, de repente, a placa simplesmente desaparece diante deles, e o cenário ao redor começa a mudar lentamente, como se estivessem entrando em outra dimensão.

A cena corta para Max correndo desesperado entre dunas de areia, ofegante, vestido com roupas surradas. Corta mostrnado que ele agora está dentro de uma caverna.

Corta para Max encontrando uma estátua de pedra, representando um homem antigo, misterioso, com feições marcantes.

A tela então fica preta, e um rugido animalesco, alto e ameaçador, ecoa pelo silêncio, anunciando que o perigo está apenas começando.

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