Josérnagers Ep 2 Parte 1
A cena se inicia com um breve flashback dos Rangers em plena vitória: o Megazord, erguendo sua espada flamejante, desferindo o golpe final que destroça o corpo de Lara Repulsa. Em seguida, vemos a máquina em pose triunfal, enquanto, lá dentro, os cinco heróis soltam rugidos de celebração e erguem os punhos em êxtase, comemorando sua vitória épica.
Ao mesmo tempo, somos levados à base secreta de Magnus, onde Tiago—no corpo robótico de Alpha 9—e o próprio Magnus observam, fascinados, cada instante do combate desde o seu início. Tiago não se contém: levanta os braços e exclama, imitando o gesto de comemoração do Cristiano Ronaldo, “É ISSO, PORRAAA! VAMOOOOO!”, sua voz vibrando pela sala de controle. Aliviado, ele se recosta num dos terminais e comenta com um sorriso satisfeito:
— Eu não falei pra vocês? Eu fiz ótimas escolhas!
Magnus, num aceno discreto, sorri de volta e elogia o companheiro:
— Realmente, você, Alpha 9, não decepciona nos momentos decisivos.
Ele se aproxima do console principal e, já adotando um tom mais sério, continua:
— Muito bem, Alpha 9, agora precisamos instruir esses jovens e treiná-los por completo. Depois que se destransformarem, acredito que ainda não terão capacidade de invocar o poder ancestral sozinhos. Teremos que submeter cada um a treinamentos intensivos para prepará-los – e, sobretudo, negociar com seus espíritos ancestrais uma permissão definitiva para o uso de seus poderes.
Tiago arregala os olhos, pronto para colaborar:
— Pode contar comigo, senhor.
Magnus acena em concordância e, tocando levemente a cabeça flutuante de Tiago, faz uma última pergunta:
— Alpha 9, preciso tirar uma dúvida sobre a recuperação dele… Como está o progresso? Até agora, não perguntei muitos detalhes, mas, já que a ameaça foi neutralizada, gostaria de saber em que nível ele se encontra.
Tiago ajusta os braços e responde, consultando sua memória de dados médicos:
— O estado de recuperação está em 43%.
Magnus franze levemente o cenho e, em tom melancólico, murmura:
— Quarenta e três por cento… após mil anos, e só isso? É uma pena.
Ele respira fundo, recompondo-se, e esboça um sorriso determinado:
— Mas não podemos perder as esperanças. Quando chegar o momento certo, tudo vai se encaixar.
Passado algum tempo, voltamos à base secreta. Agora, Tiago encontra-se na companhia dos cinco jovens Rangers em uma sala apelidada de “Sala do Lanchinho”. O ambiente é acolhedor: à esquerda, um fogão industrial de inox e, ao lado, uma geladeira espaçosa; ao centro, uma mesa circular branca rodeada por cadeiras de madeira maciça; nas paredes, painéis tecnológicos e, suspensa no teto, uma TV de 30 polegadas ligada no jornal local.
Os cinco estão sentados à mesa, exaustos, cada um em uma cadeira diferente: Max ocupa a posição voltada para a geladeira, segurando um copo com água gelada e cubos de gelo; Beka está ao lado dele, encostada levemente no encosto, com um olhar vago; Junin senta-se defronte ao fogão, as mãos cruzadas sobre a mesa; João Gabriel, logo ao lado de Junin, observa o teto como se buscasse forças; e, por fim, Luka ocupa o lugar restante, o queixo apoiado na mão, os olhos semicerrados. Enquanto isso, Tiago, sempre diligente, prepara salgados recém-saídos do forno e espreme sucos naturais em copos transparentes, dispondo cada porção num pequeno bufê improvisado sobre a bancada.
Max, ao erguer o copo para beber mais um gole, escuta o “tlim” característico de notificação de mensagem. Ele retira o celular do bolso, desbloqueia a tela e vê que a notificação é da sua mãe, aflita, perguntando se estava tudo bem na cidade. Com dedos ainda trêmulos de cansaço, Max digita de volta: informa que a evacuação da escola transcorreu sem problemas.
A cada palavra, ele lembra o contexto: o SESI, essa instituição que funciona como escola, universidade e EJA ao mesmo tempo, projeto público–privado que se consolidou nos últimos três anos em Parnaíba, e já planeja expansão para outros estados. Embora a maioria dos colegas tenha entre 18 e 19 anos, ele próprio não é de Parnaíba: veio do Acre depois de passar em um concurso seletivo, mudou-se para cá a fim de estudar e aproveitar os cursos oferecidos pelo SESI. Sua mãe e demais familiares fizeram questão de visitá-lo pelo menos a cada final de mês, enviam mesada e vêm em feriados; ela liga para ele todas as noites, sem falhar, pois, para qualquer mãe, é difícil deixar o filho “criar asas” e voar tão longe.
Voltando à conversa, Max responde à última pergunta da mãe: “Vou dormir hoje em um quarto de hotel por aqui; acredito que ficarei lá até a reforma da escola ser concluída. Tenha uma boa noite e… te amo.” Com um suspiro de alívio, ele manda a mensagem e guarda o celular.
Max guardou o celular no bolso e observou a movimentação à sua volta. Beka e Junin trocavam mensagens frenéticas — provavelmente relatando aos familiares e ao namorado dela, Rayan, tudo o que tinha acontecido naquele dia caótico. Enquanto isso, João e Luka mantinham o olhar fixo na televisão suspensa na Sala do Lanchinho, absorvendo cada detalhe da reportagem que tentava explicar os eventos extraordinários pelas lentes do jornal local.
No telão, imagens de ruas esburacadas, fachadas incendiadas e silhuetas humanas cruzavam a tela. Relatores entrevistavam pessoas resgatadas pelas forças de segurança e, entre elas, surgiu novamente o rosto daquela jovem que Max lembrava ter salvo: vestia seu uniforme do colégio militar — um casaco azul-marinho impecável e boina no mesmo tom — e fora identificada como Anna Lya, estudante do curso militar da cidade.
A repórter, uma mulher de expressão séria e tom compassivo, aproximou-se do microfone:
— Senhorita Anna Lya, poderia nos contar como tudo aconteceu? Você mencionou que foi salva por um dos cinco heróis. Como foi esse resgate?
Anna respirou fundo, ajeitou a sua boina pendurada no ombro e respondeu com a voz ainda embargada pelo susto:
— Quando tudo começou, foi um verdadeiro caos — ela fez um gesto amplo, como se tentasse abarcar a destruição ao redor. — Era como se um filme de apocalipse estivesse se desenrolando bem diante dos nossos olhos. Consegui evacuar a escola a duras penas, mas, no meio do caminho, passei por uma rua próxima à ponte. De repente, escutei um estrondo e, ao olhar para cima, vi um enorme pedaço de concreto se desprendendo da estrutura. Meu coração disparou e eu fechei os olhos, preparada para o pior.
Ela piscou, visivelmente emocionada, antes de continuar:
— Quando os abri de novo, lá estava ele. Um homem — ou… algo — vestido com um traje vermelho e branco, lutando contra aqueles esqueletos. Em um movimento quase impossível, ele segurou o bloco de concreto com apenas um dedo e desviou-o de mim, salvando minha vida. Eu fiquei tão em choque que não consegui pensar em mais nada, só ele me dizendo para correr em segurança. Enquanto eu fugia, vi-o voltando ao combate, incansável.
A câmera mostrou de novo as imagens captadas pela repórter em campo, e Anna terminou o depoimento com um sorriso tímido e as bochechas coradas:
— Eu só posso agradecer. Espero que ele esteja bem. Muito obrigada por ter me salvado — ela disse, fazendo uma breve reverência de gratidão.
Max sentiu um nó na garganta. Ele se apoiou na cadeira, emocionado, mas também constrangido. Naquele momento, parecia não merecer todo aquele reconhecimento. Por detrás da armadura e do uniforme vermelho, ele sabia que sua força não vinha inteiramente dele — era a energia ancestral, o espírito do Tiranossauro, que o impulsionava. Quando se transformara, sentira como se deixasse de ser Max e se fundisse a outra entidade mais poderosa, cujos instintos assumiam parte do controle. Aquele estranho desdobramento de personalidade o incomodara desde o primeiro embate com Lara Repulsa, e não só ele: João, Beka, Junin e Luka também admitiram ter sentido a presença de algo maior dentro de si.
Enquanto as reportagens seguiam tentando desvendar o mistério dos novos protetores da cidade, Max baixou o olhar para o copo de água pela metade, refletindo sobre o que significava ser herói quando a própria identidade parecia turvada por um poder alheio. E, ao mesmo tempo em que sentia orgulho da façanha, ainda buscava entender quem realmente era — e quem, naquele instante, o habitava.
Após Max terminar de pensar e encarar a televisão com expressão reflexiva, Tiago interrompeu a tensão com entusiasmo:
— Terminei!
Ele tirou o avental rosa de ursinho e as luvas verde-claro, pegou uma bandeja reluzente e a colocou na mesa com cuidado. A bandeja estava recheada de salgados: canudinhos, bombas, coxinhas, mini pastéis e outras delícias. Todos eram de tamanho médio, perfeitamente dourados, quentinhos, crocantes, com aquele cheirinho que dominava o ar. Os salgados estavam organizados em pequenos pratinhos, formando um verdadeiro banquete improvisado. Tiago também trouxe cinco copos de suco de goiaba, um para cada um dos presentes, e os entregou com toda a formalidade de um garçom cinco estrelas.
Luka, ao pegar seu copo, ergueu uma sobrancelha desconfiado e perguntou:
— Vem cá, Tiago... salgados são mesmo uma boa opção pra recuperar energia?
Tiago cruzou os braços e respondeu como se estivesse prestes a revelar um segredo ancestral:
— Se fossem salgados comuns, não. Mas esses aqui são modificados com um pouco de maçã azul.
João olhou curioso.
— Maçã azul?
Tiago assentiu, como um cientista satisfeito com sua invenção.
— Sim. É uma fruta abundante em vários planetas pelo espaço. Ela tem um fator de recuperação de energia impressionante. Se alguém estiver exausto, basta comer uma e pronto: energia restaurada. O problema é que ela demora um pouco pra ser preparada, então eu armazeno algumas por segurança.
Enquanto falava, Junin já estava devorando dois salgados de uma vez. Com a boca cheia, disse:
— Isso é bem útil e saboroso.
Tiago olhou para ele com raiva súbita, ergueu o punho direito e disparou um gancho seco no queixo de Junin, que voou até o teto, bateu, caiu no chão de costas e começou a engasgar.
— Tenha modos à mesa! — esbravejou Tiago.
Junin murmurou com dificuldade, ainda cuspindo farelos de pastel:
— Pra quê tudo isso...?
Max comentou calmamente:
— Isso se chama ter boas maneiras à mesa.
Beka, completamente impassível diante da cena, já estava tirando uma foto de Junin caído enquanto sorria satisfeita. Luka e João apenas assentiram, todos em perfeita sincronia com Max.
— Realmente... isso aqui é bom e crocante. Faz jus ao nome de melhores salgados da cidade — disse Max, enquanto mastigava com gosto.
Os demais concordaram em uníssono, saboreando os quitutes.
— Fico feliz em ouvir isso — disse Tiago, fazendo um joinha, orgulhoso.
Beka olhou para ele, ainda com o celular na mão:
— Isso está na sua programação?
Tiago respondeu com um ar pensativo:
— Bom, particularmente algumas comidas sim. Mas as da Terra eu tive que aprender por conta própria. Felizmente, não demorou tanto.
Nesse momento, uma sequência de flashbacks se inicia:
Corta para Tiago tentando aprender a fazer feijão, colocando um quilo de sal achando que era açúcar. Explosão na panela de pressão.
Depois, ele tenta fritar coxinhas, mas deixa o óleo esquentar tanto que derrete o cabo da frigideira, fazendo a cozinha pegar fogo por três segundos antes de ele apagar com um mini-extintor embutido em seu braço.
Na próxima cena, ele tenta fazer arroz, mas coloca água demais, o arroz transborda da panela, criando um rio de mingau branco pela cozinha, enquanto Tiago escorrega e cai com a cara no chão.
A última imagem é ele sentado no chão, coberto de farinha, feijão e arroz, com expressão derrotada. De repente, ele levanta o dedo e diz:
— Próxima tentativa: lasanha.
Volta à sala. Tiago ainda estava de pé, com um ar de orgulho tímido.
— Mas agora, modéstia à parte, até que me viro bem.
Todos riram. E continuaram comendo.
Max ergueu o copo de suco, ainda meio pensativo, e murmurou para os outros quatro, sem olhar diretamente para Tiago:
— Vocês conhecem algum hotel barato para a gente passar os próximos dias?
Tiago, que estava em pé observando o grupo comer, deixou o avental de lado e se aproximou, sorriso acolhedor no rosto.
— Se quiserem, podem dormir aqui mesmo — ofereceu ele. — A base tem várias seções e leitos disponíveis. Além disso, atrás da lanchonete, existe uma casa conectada secretamente à base. Pode servir como dormitórios provisórios.
Max piscou, surpreso, e assentiu com um sorriso de alívio.
— Eu aceito. — Ele tomou um gole do suco. — E o resto de vocês, alguém aí não tem onde ficar?
Luka baixou o olhar e respondeu primeiro:
— Eu não. Eu vim do interior e moro nos dormitórios do SESI — explicou, enquanto fazia um gesto com o copo de suco. — Agora que a escola está em reforma por causa do conflito com Lara Repulsa, não tem como voltar para lá. Estou ocupada com meus cursos, mas, por enquanto, não tenho um lugar fixo.
João Gabriel concordou, ajeitando os óculos:
— Mesmo história. Sou de fora — ele tocou o tronco do copo — e morava no alojamento do SESI também. Agora que tudo foi danificado, não tem como voltar. Portanto, não tenho para onde ir por enquanto.
Beka e Junin trocaram um olhar casual, como se tivesse ensaiado a resposta.
— Eu durmo em casa — disse Beka, dando de ombros. — Moro não muito longe.
— Eu também — completou Junin, limpando a boca com o guardanapo. — É mais fácil para mim voltar.
Tiago fez um aceno com a cabeça, satisfeito com as respostas.
— Então está combinado. Os que precisam podem usar a sala dos dormitórios na base ou a casinha atrás da lanchonete. É só me avisar quando quiserem se instalar. — Ele voltou até a bancada e pegou mais alguns pratos vazios. — Agora, aproveitem o resto do lanche e descansem, porque amanhã temos treino pesado pela frente.
Enquanto Tiago recolhia os pratos, Max trocou um olhar com Luka e João. Um leve sentimento de gratidão preencheu seu peito, pois soube que não estaria sozinho nos próximos dias de recuperação. Beka e Junin terminaram de comer e se levantaram da cadeira, prontos para voltar para suas casas. Junin piscou para Max:
— Nos vemos amanhã cedo no treino.
Beka interrompeu Junin no momento em que ele se preparava para sair.
— Espera aí, Tiago — ela chamou, virando-se para ele com expressão séria. — A gente nunca entrou na vida em uma base secreta e não faz ideia de onde fica a saída. Será que você poderia nos mostrar? Não queremos acabar perdidos lá dentro.
Tiago sorriu, ergueu o polegar num gesto confiante e bateu levemente no peito:
— Sem problemas. Podem contar comigo, porque — ele fez uma pausa dramática, dando um tapinha no próprio peito metálico — o pai aqui é brabo.
E assim a cena terminou, com os cinco se preparando para seguir Tiago pelos corredores secretos da base.
Assim que Beka e Junin saíram, acompanhados por Tiago, Max, Luka e João Gabriel seguiram-no pelos fundos da lanchonete. Eles atravessaram uma porta discreta que, ao se abrir, revelou um corredor estreito forrado por cabos e painéis eletrônicos. Tiago conduziu-os por algumas curvas, até que, de repente, chegaram a uma escada que descia para o subsolo. Lá embaixo, o corredor desaguava em uma grande sala de controle, mas ele seguiu por uma porta de segurança para o outro lado — e tudo mudou.
Diante deles ergueu-se uma casa magnífica, com janelas amplas de vidro fosco, paredes com acabamentos em madeira clara e um jardim interno iluminado por pequenos refletores embutidos no chão. Tiago acendeu as luzes, e a cena que se abriu aos olhos dos três era luxuosa: um hall de entrada amplo, piso de mármore polido, e um lustre moderno de cristal que pendia do teto alto, lançando reflexos suaves por toda parte.
— Bem-vindos à casa — anunciou Tiago, abrindo os braços como se apresentasse um palácio. — Ela fica exatamente nos fundos da lanchonete e está totalmente conectada com a base. Além de quartos e sala de estar, temos espaço para treinos e refeitório.
Max levou a mão ao queixo, surpreso com a grandiosidade.
— Isso é… inacreditável.
— Pois é — confirmou Tiago, guiando-os pela longa sala de estar. Um grande sofá quase circundava a parede, voltado para uma TV enorme embutida. Quadros abstratos exibiam tons de azul e dourado. — A casa foi adaptada para receber vocês. Toda a parte norte irá se transformar em dormitórios. Venham ver.
Eles passaram por uma cozinha equipada com eletrodomésticos de última geração, bancada de madeira clara e uma despensa que parecia não ter fim. Logo adiante, encontraram três portas ladeando um corredor iluminado por luminárias embutidas:
— Aqui — disse Tiago, abrindo a primeira porta — é o quarto do Max: cama de casal, guarda-roupa grande, e uma escrivaninha. Tem até uma pequena varanda para você tomar ar fresco ou treinar meditação.
Em seguida, abriu a segunda porta:
— Este é do João Gabriel — uma decoração um pouco mais sóbria, com prateleiras para livros, boa iluminação de leitura e um banheiro privativo.
Por fim, abriu a terceira porta:
— Aqui está o quarto da Luka — um espaço amplo, espelho de corpo inteiro, tatame portátil no chão para suas manobras de luta, e janelas enormes que deixam entrar muita luz.
— E tem um espaço extra no sótão que pode ser transformado em sala de estudos ou ginásio, se precisarem — acrescentou Tiago, orgulhoso.
— Isso é fantástico — exclamou Luka, ainda absorvendo a informação. — A casa é linda… mas eu quero saber uma coisa, Tiago: com todas essas questões, será que precisamos mesmo sair do SESI assim? Será que não podemos voltar depois que tudo se acalmar?
Tiago fechou a porta do corredor com um leve clique, apoiou-se no batente e franziu o cenho.
— Infelizmente, pelo bem de todos, vocês terão que permanecer aqui até segunda ordem. O SESI foi danificado na última batalha e, embora a principal ameaça tenha sido neutralizada, ainda não sabemos se existem outros perigos ocultos à espera de um novo confronto. Enquanto não tivermos certeza de que tudo está seguro, é melhor que fiquem por aqui.
Max, apoiado no batente de um dos quartos, ergueu a cabeça para encarar Tiago:
— Entendi… Mas e quanto ao dinheiro? Como a gente vai se manter sem depender de você e do Magnus?
Tiago sorriu, cheio de energia, e estalou os dedos como se aquela pergunta fosse óbvia:
— Bem simples. Vocês cinco vão me ajudar nos treinos e, ao mesmo tempo, vão trabalhar aqui na lanchonete. — Ele se aproximou, as mãos entrelaçadas em frente ao peito. — Eu e o Magnus gerimos tudo. Vocês não vão precisar depender de ninguém; receberão salário por cada dia que trabalharem.
Luka cruzou os braços, ainda um pouco cética:
— Desculpa, mas vocês pagam bem? Normalmente, quem se forma no SESI arranja empregos confortáveis e ganha uma boa grana.
Tiago piscou e fez um gesto amplo, indicando o espaço ao redor:
— Claro que sim. Lembrem-se de que nem eu nem o Magnus somos da Terra — disse com orgulho. — Já temos recursos e ouro guardados de outros lugares. De modo que, enquanto vocês estiverem trabalhando aqui, vão receber muito bem. Acreditem: nesta lanchonete, vocês não só terão um emprego estável, mas também aprenderão a preparar lanches capazes de recarregar energias como ninguém neste planeta.
Os três jovens trocaram olhares e, aos poucos, sorrisos de alívio surgiram em seus rostos. Max assentiu, como quem percebe ter encontrado uma solução definitiva:
— Então está combinado. Vamos dormir aqui e começar a trabalhar amanhã.
Luka sorriu, ainda admirada com o luxo ao seu redor, enquanto João Gabriel estendia a mão para cumprimentar Tiago:
— Obrigado pela ajuda, Tiago. Eu e a Luka vamos nos ajeitar.
Lá fora, o sol poente tingia o céu de laranja enquanto a noite caía. Plantas do jardim interno projetavam sombras dançantes pelos corredores bem iluminados. Os três saíram pelos fundos da sala de estar, prontos para se acomodarem em seus novos quartos, enquanto Tiago observava, satisfeito, certo de que aquele era o primeiro passo para outra fase de preparação. Afinal, proteger a Terra exigiria tanto treinos intensos quanto uma boa refeição ao final do dia.

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